By using this site, you agree to the Privacy Policy and Terms of Use.
Aceitar
Portal Nação®Portal Nação®Portal Nação®
Notification Mostrar mais
Font ResizerAa
  • Início
Lendo: Transparência nas Autorizações de Supressão de Vegetação
Compartilhe
Font ResizerAa
Portal Nação®Portal Nação®
  • Notícias
  • Esporte
  • TV Nação
  • Entretenimento
  • Ciência
  • Tecnologia
  • Acesso
Search
  • Início
Siga nas redes
Portal Nação® > Noticias > outros > Transparência nas Autorizações de Supressão de Vegetação
outros

Transparência nas Autorizações de Supressão de Vegetação

Última atualização: 19 de maio de 2025 05:10
Published 19 de maio de 2025
Compartilhe
Compartilhe

Cada vez mais o setor agropecuário brasileiro enfrenta uma crescente pressão global por maior rastreabilidade, legalidade e transparência em suas cadeias produtivas.

Regulamentações nacionais e internacionais, políticas corporativas de sustentabilidade e exigências de investidores têm impulsionado mudanças estruturais no modo como produtos agrícolas são monitorados, verificados e comercializados. A geração de dados, então, se torna pilar importante para garantia não só para a evolução de procedimentos e como também para sua efetividade.

Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas

Nesse contexto, a ausência de dados acessíveis e atualizados sobre Autorizações de Supressão de Vegetação (ASV) – ou documentos equivalentes que atestam a legalidade de desmatamentos – se torna uma lacuna crítica. Esses documentos, geralmente gerenciados por órgãos estaduais, são uma das formas de comprovação da conformidade de áreas agrícolas com a legislação ambiental brasileira. Entretanto, por serem de difícil acesso, os esforços de verificação para conformidade legal ficam estagnados.

A publicação padronizada das ASVs em nível nacional traria não apenas benefícios para a imagem e a competitividade do agronegócio brasileiro, como também fortaleceria a governança ambiental na garantia de cumprimento da legislação, quando são documentos que autorizam a retirada de vegetação nativa em propriedades rurais dentro dos limites estabelecidos pelo Código Florestal, especialmente em áreas de uso alternativo do solo fora das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e das Reservas Legais (RLs).

A falta de publicidade dessas informações limita não apenas a fiscalização por parte dos órgãos públicos, mas também prejudica o setor privado em seus esforços de avançar no compliance e na rastreabilidade da cadeia. No contexto atual, em que compradores internacionais, financiadores e certificadoras exigem garantias de origem, essa opacidade representa um obstáculo relevante à competitividade da produção brasileira.

Além disso, a indisponibilidade dessas autorizações dificulta o enfrentamento de um dos maiores desafios do debate ambiental: distinguir com clareza o desmatamento legal do ilegal. Sem dados públicos, a narrativa de que “o desmatamento é permitido no Brasil” — frequentemente utilizada como argumento para relativizar críticas externas — carece de verificação empírica, o que compromete sua força argumentativa tanto em fóruns nacionais quanto internacionais.

Transparência é um elemento essencial para qualquer sistema de governança eficaz, seja ele público ou privado. No caso do Brasil, país que abriga a maior biodiversidade do planeta e desempenha papel central no abastecimento global de alimentos, isso torna-se uma necessidade estratégica.

A publicidade das ASVs pode atuar como ação catalisadora de um ciclo virtuoso que envolve fortalecimento institucional, aprimoramento de políticas públicas e maior responsabilização dos diferentes atores envolvidos na conversão de vegetação nativa de maneira desrespeitosa à legislação.

A simples existência de uma base de dados pública e auditável já funcionaria como inibidor de práticas irregulares, uma vez que seria facilmente verificável. Além disso, facilitaria o trabalho de cruzamento de informações com outras bases – como CAR, Prodes, Deter etc. – para detecção de inconsistências, fraudes ou padrões de risco, algo que empresas do setor privado poderiam utilizar para aprimoramento de seus sistemas de controle e implementação das estratégias de expansão, verificar a compatibilidade entre produção agrícola e legalidade fundiária, e direcionar recursos de forma mais eficiente para o cumprimento de compromissos ESG e de desmatamento zero.

Empresas exportadoras e compradores internacionais têm se mobilizado para comprovar que a soja brasileira não está associada a desmatamento ilegal, isto face a exigência de mercado global. No entanto, essa tarefa torna-se quase impossível sem uma base pública, abrangente e atualizada de ASVs.

Do ponto de vista da formulação de políticas públicas, a sistematização dessas informações permitiria um monitoramento mais preciso da atuação dos estados na gestão ambiental. Hoje, o governo federal tem dificuldades para avaliar a efetividade da aplicação da legislação ambiental nos entes federativos, justamente pela ausência de dados padronizados e integrados.

Num cenário perfeito, seria possível identificar as unidades da federação com maior incidência de supressões autorizadas, avaliar o volume de áreas sob uso alternativo do solo e monitorar tendências que possam demandar respostas específicas, como zonas de pressão por expansão agrícola. Seria também possível atuar no reforço à fiscalização, aprimoramento tecnológico de sistemas de monitoramento e otimização dos esforços das Secretarias Estaduais de Meio Ambiente.

Maior transparência também contribuiria para qualificar o debate público, muitas vezes capturado por polarizações ideológicas ou por argumentos não fundamentados. Em um cenário onde há grande controvérsia sobre a proporção de desmatamento legal e ilegal, o acesso a dados oficiais confiáveis é fundamental para trazer racionalidade, precisão técnica e credibilidade às discussões — tanto no Brasil quanto no exterior.

A expansão da produção sojícola no Brasil, especialmente no bioma Cerrado, tem sido um dos principais vetores de pressão internacional por maior rastreabilidade e comprovação de legalidade ambiental. Em 2023/24, o Brasil plantou aproximadamente 45 milhões de hectares de soja, dos quais cerca de 60% estão localizados no cerrado, segundo dados da Conab e de mapeamentos por sensoriamento remoto. Esse bioma, por ainda possuir mais de 50% de vegetação nativa e estar no centro da expansão agrícola recente, tem atraído a atenção de reguladores, consumidores e instituições financeiras globais.

Em estudo publicado no site da Abiove, temos que aproximadamente 96% da expansão da soja na safra 2022/23 no cerrado ocorreu em áreas já antropizadas, ou seja, sem supressão recente de vegetação nativa. Apenas 4% da expansão ocorreu sobre áreas conversação de vegetação, e, dessas, uma parcela relevante apresenta CAR ativo e regular perante o Código Florestal.

No entanto, a ausência de informações públicas sobre as ASVs impede a confirmação objetiva da legalidade desses casos e compromete a capacidade de validação externa, inclusive por parte de iniciativas privadas de monitoramento e verificação.

Essa lacuna de dados se torna ainda mais crítica diante de estudos como o publicado na revista Science, intitulado “The Rotten Apples of Brazil’s Agribusiness”, liderado por Raoni Rajão. O artigo afirma que entre 20% e 25% da soja produzida no cerrado pode estar associada a algum grau de irregularidade fundiária ou ambiental, incluindo desmatamento ilegal. Embora o estudo tenha sido contestado por entidades do setor, faltam dados públicos que permitam uma resposta técnica e precisa a essas alegações.

Nesse contexto, o cerrado é emblemático: trata-se do bioma mais pressionado pela expansão da fronteira agrícola e, ao mesmo tempo, o mais exposto à ausência de mecanismos públicos e estruturados de transparência ambiental. A criação e publicação de uma base nacional de ASV, georreferenciada, interoperável e acessível, seria uma resposta concreta e tecnicamente viável a esse desafio.

Diante destes desafios, mas também oportunidades, é urgente que tanto o poder público quanto o setor privado adotem medidas concretas para fortalecimento da transparência ambiental no Brasil, com foco especial na publicidade das ASVs e/ou documentos equivalentes.

E não apenas deixar público, mas garantir que o uso do dado seja eficiente, por meio da padronização deste documento em todas as esferas estaduais; e viabilizar o cruzamento com outras bases, em especial, o CAR, assim garantindo a possibilidade de vincular esta informação às propriedades rurais de forma que as empresas do setor privado possam fazer a verificação adequada; considerando-se, inclusive, a crescente demanda internacional por cadeias produtivas livres de desmatamento, combinada com o avanço de legislações alienígenas.

O setor sojícola pode ser um dos primeiros a puxar essa agenda, mas os benefícios da medida se estenderiam a diversas outras cadeias agropecuárias e florestais. Trata-se, portanto, de uma ação transversal, que pode pavimentar o caminho para um novo ciclo de governança ambiental no país, com mais transparência, confiança e competitividade.

You Might Also Like

Com cachê de R$ 100 mil, Oh Polêmico puxa trio para cerca de 100 pessoas na Micareta de Lauro de Freitas; veja vídeo

“Nunca mediu esforços para trabalhar pela Bahia”, diz Jerônimo no velório de Alan Sanches

BBB 26: Milena recebe punição gravíssima e gera discussão generalizada 

‘Salvador mais verde está em risco’, afirma Olga Pontes, do SOS Morro do Ipiranga

Uso de IA por jovens para saúde mental pode levar a dependência e solidão 

Compartilhe esse artigo
Facebook Twitter Email Print
Deixe um comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga o Portal Nação

Nas redes Sociais
FacebookLike
TwitterSiga nas redes
YoutubeSubscribe
TelegramSiga nas redes

Newsletter semanal

Assine nossa newsletter para receber nossos artigos mais recentes instantaneamente!

Notícias populares

Amigos de corredor atropelado por filho de vereadora pedem doação de sangue em campanha; protesto acontece neste domingo (17)

17 de agosto de 2025
Apartamento da mãe de dupla sertaneja é invadido em goiânia no Domingo de Páscoa; saiba detalhes
Tarcísio autoriza desmobilização da EMTU em SP
Menina de 3 anos morre e três pessoas ficam feridas em tiroteio no DF 
Atacante do Atlético de Madrid é suspenso após xingar árbitro 
- Publicidade -
Ad imageAd image
  • Avisos legais
  • Política de privacidade
  • Gerenciamento de Cookies
  • Termos e condições
  • Parceiros

Todas as últimas notícias do Portal Nação direto na sua caixa de entrada

Aqui no Portal Nação, acreditamos em criar os melhores produtos para a indústria que cruzam o melhor design de software, experiência do usuário e funcionalidade.

Nosso site armazena cookies no seu computador. Eles nos permitem lembrar de você e ajudam a personalizar sua experiência em nosso site.
Leia nossa política de privacidade para maiores infromações.

Copyright © 2023-2024 Portal Nação | Todos os Direitos Reservados

Orgulhosamente ❤️ por HubCloud © 2024. Todos os Direitos Reservados
Welcome Back!

Sign in to your account

Lost your password?