Apoio de 20 bilhões de dólares à Argentina divide aliados e oposição em Washington, que acusam o republicano de interferência eleitoral. Internacional, Donald Trump, Javier Milei, William Waack CNN Brasil
As eleições legislativas marcadas para este domingo na Argentina serão um enorme teste para o governo de Javier Milei. Metade dos assentos na Câmara dos Deputados e um terço do Senado estão em jogo — e o resultado pode definir também o futuro de um importante apoio internacional: o dos Estados Unidos.
O governo americano acertou um swap cambial de US$ 20 bilhões com a Argentina. Mas o presidente Donald Trump, que recebeu Milei na Casa Branca neste mês, condicionou a ajuda financeira à vitória do aliado argentino nas urnas.
As ações de Trump em relação à Argentina se tornaram alvo de questionamentos de todos os lados. A oposição acusa o presidente de favorecer um governo estrangeiro aliado enquanto os Estados Unidos seguem em shutdown. Integrantes do próprio Partido Republicano também criticam a medida e afirmam não entender de que forma ajudar a Argentina contribui para que Trump cumpra as promessas da agenda “America First”.
À frente das negociações com Milei, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, enfrenta críticas do sistema financeiro por tentar obter mais US$ 20 bilhões em empréstimos para a Argentina, com recursos de bancos privados dos Estados Unidos.
Outro setor resistente ao socorro à Argentina é o agronegócio. Isso porque Trump passou a defender um acordo comercial que aumentaria as importações de carne bovina do país sul-americano — medida que desagradou pecuaristas americanos.
Um grupo de deputados democratas enviou uma carta a Bessent na qual afirma que a atuação do Tesouro em crises internacionais não pode servir para influenciar eleições estrangeiras.

