Estados Unidos alertaram regime iraniano contra a realização de execuções de manifestantes, indicando que poderiam fazer um ataque em retaliação Internacional, Donald Trump, Estados Unidos, Irã, Protestos CNN Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que mais de 800 enforcamentos foram cancelados no Irã, em meio à grande repressão aos protestos antigovernamentais.
“Respeito profundamente o fato de que todos os enforcamentos programados para ontem (mais de 800) foram cancelados pela liderança do Irã. Obrigado!”, comentou Trump na Truth Social.
Na quarta-feira (14), o presidente americano disse que “a matança está parando” e que não havia planos para execuções no país do Oriente Médio.
Os comentários são feitos após um grupo de direitos humanos e os EUA denunciarem que o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, havia sido condenado à morte após ser preso em conexão com os protestos.
À CNN Brasil, o grupo Hengaw confirmou que a execução de Soltani foi adiada.
Fontes ouvidas pela CNN disseram que opções foram apresentadas a Donald Trump para uma retaliação ao Irã, incluindo desde ataques aéreos a um ataque cibernético.
O grupo de direitos humanos HRANA, que tem sede nos EUA, diz que o número de mortos nos protestos chegou a 2.677, incluindo 2.478 manifestantes e 163 pessoas identificadas como ligadas ao governo.
Autoridades de segurança iranianas disseram nesta sexta que 3.000 pessoas, que alegaram serem integrantes de “grupos terroristas”, bem como envolvidos em distúrbios recentes, foram presas, de acordo com a agência de notícias estatal Tasnim.
Entenda os protestos no Irã
Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.
Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.
A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos disseram que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.

