O governo americano de Donald Trump oficializou nesta quarta-feira (30/7) a imposição de tarifa extra de 40% sobre produtos brasileiros, elevando a tarifa total para 50% — os 10% anteriores estavam em vigor desde abril. De acordo com o anúncio, a adoção da tarifa é uma “resposta a políticas, práticas e ações recentes do Governo do Brasil que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.
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O comunicado do governo americano também afirma que as ações do Brasil prejudicam empresas americanas, os direitos de liberdade de expressão de cidadãos americanos, a política externa dos EUA e a economia norte-americana. Ressalta ainda uma “perseguição política, intimidação, assédio, censura e processos judiciais movidos pelo Governo do Brasil contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e milhares de seus apoiadores constituem graves violações de direitos humanos que enfraqueceram o Estado de Direito no país”.
Na visão do governo americano, o Brasil tomou medidas sem precedentes para coagir “de forma tirânica e arbitrária” empresas americanas a censurar discursos políticos, excluir usuários de plataformas ou alterar suas políticas de moderação de conteúdo sob pena de multas, processos criminais, congelamento de bens ou exclusão total do mercado brasileiro.
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“Essas ações prejudicam não apenas a viabilidade dos negócios das empresas americanas no Brasil, mas também a política dos Estados Unidos de promover eleições livres e justas e de proteger os direitos humanos fundamentais no país e no exterior”, acrescenta.
O ministro Alexandre de Moraes é nominalmente citado como responsável por “ameaçar, perseguir e intimidar milhares de opositores políticos, proteger aliados corruptos e reprimir dissidências — muitas vezes em coordenação com outros membros do STF — em detrimento das empresas dos EUA que operam no Brasil”.
Segundo o governo americano, Moraes prendeu pessoas sem julgamento por publicações em redes sociais, está liderando o processo penal contra Paulo Figueiredo, residente nos EUA, por declarações feitas em solo americano, e apoiou investigações criminais contra outros cidadãos dos EUA que expuseram suas violações dos direitos humanos e sua corrupção”.
Paulo Figueiredo é neto do ex-general João Batista Figueiredo, último presidente do período da ditadura militar. Dos 34 denunciados pela PGR por tentativa de golpe de Estado, Paulo Figueiredo é o único que ainda não foi julgado em relação ao oferecimento da denúncia porque não apresentou defesa. Segundo a denúncia da PGR, ele buscou forjar um cenário de coesão dentro do Exército Brasileiro sobre a necessidade da intervenção armada, disseminando assim, desinformação.

