Fala do presidente do PL acontece dois dias após um novo relatório da PF apontar a existência de um documento no celular apreendido de Jair Bolsonaro em que havia um pedido de asilo político para o governo argentino Política, Argentina, Jair Bolsonaro, Javier Milei, Valdemar Costa Neto CNN Brasil
O presidente do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto afirmou, nesta sexta-feira (22), durante evento no Rio de Janeiro, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seria “muito bem recebido” na Argentina.
“Bolsonaro ia ser muito bem recebido lá [Argentina], porque eu fui na posse do Milei lá e fiquei impressionado com gente querendo conhecer Bolsonaro. Ele tem defeitos, lógico, mas esse carisma que ele tem, faz com que não seja uma pessoa normal como nós. É um carisma pessoal. Cometeu os erros dele também no governo, mas fez um governo muito bom. Não teve sorte com a pandemia, que prejudicou todo o mundo”, disse Valdemar durante discurso no 24º Fórum Empresarial do Lide, que aconteceu no Rio.
A fala do presidente do PL acontece dois dias após um novo relatório da PF (Polícia Federal) apontar a existência de um documento no celular apreendido de Jair Bolsonaro (PL) em que havia um pedido de asilo político para o governo da Argentina.
Nomeado como “Carta JAIR MESSIAS BOLSONARO”, o arquivo foi criado pela esposa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A mulher também aparece como a última autora. O documento foi salvo no aparelho telefônico do ex-presidente na tarde do dia 10 de fevereiro de 2024.
Dois dias antes disso, a PF havia deflagrado a “Operação Tempus Veritatis” com o objetivo de apurar organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito.O ex-presidente era um dos principais investigados pela ação e precisou entregar seu passaporte na ocasião.
A minuta de asilo político possui 33 páginas, está escrita no nome de Jair Bolsonaro e tem como destinatário o presidente da Argentina, Javier Gerardo Milei. O arquivo diz que o brasileiro é perseguido por motivos e delitos essencialmente políticos. Além disso, ressalta que o antigo chefe do Executivo temia por sua vida.
“Eu, Jair Messias Bolsonaro, solicito à Vossa Excelência [Milei] asilo político na República da Argentina, em regime de urgência, por eu me encontrar na situação de perseguido político no Brasil, por temer por minha vida, vindo a sofrer novo atentado político, uma vez que não possuo hoje a proteção necessária que se deve dar a um ex-chefe de Estado, bem como por estar na iminência de ter minha prisão decretada, de forma injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional pelas próprias autoridades públicas que promovem a perseguição contra mim, diretamente da mais alta Corte do Poder Judiciário brasileiro, e por preencher todos os requisitos legais, conforme exaustivamente demonstrado ao longo desse requerimento”, diz a carta.
Segundo a PF, “elementos informativos encontrados indicam, portanto, que o ex-presidente JAIR BOLSONARO tinha em sua posse documento que viabilizaria sua evasão do Brasil em direção à República Argentina, notadamente após a deflagração de investigação pela Polícia Federal com a identificação de materialidade e autoridade delitiva quanto aos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito por organização criminosa”.
Na última quarta-feira (22), o ex-presidente e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados pela PF, devido à atuação do parlamentar nos Estados Unidos. Conforme o relatório, os dois atuaram para obstruir o avanço da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado, que tem Bolsonaro como principal réu.
A CNN entrou em contato com o governo de Javier Milei, que disse não ter recebido pedido de asilo por parte de Bolsonaro.
*Publicado por Leticia Martins, da CNN

