Segundo apuração de Pedro Venceslau no CNN 360º, as estratégias políticas do presidente do PL e do clã Bolsonaro estão em conflito em alguns estados e geram impasses nas articulações partidárias Eleições, -transcricao-de-videos-, Carlos Bolsonaro, Ciro Gomes, Eduardo Bolsonaro, Eleições 2024, Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Valdemar Costa Neto CNN Brasil
As estratégias políticas de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e da família Bolsonaro têm apresentado divergências significativas em estados importantes para o campo da direita, como Ceará, Santa Catarina e São Paulo. A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau no CNN 360º.
No Ceará, a possibilidade de uma aliança com Ciro Gomes para quebrar a hegemonia do PT encontrou resistência por parte da família Bolsonaro. Michele Bolsonaro expressou publicamente seu desacordo com a articulação que vinha sendo comandada por André Fernandes, deputado e presidente do PL no estado. A situação foi agravada quando Ciro declarou que não teria motivos para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República, frustrando expectativas de reciprocidade política.
Em Santa Catarina, estado tradicionalmente favorável ao campo conservador, o governador Jorginho Melo havia articulado uma composição com o PP, do Esperidião Amin, para o Senado. No entanto, a família Bolsonaro decidiu lançar Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado pelo estado. A movimentação gerou uma rebelião de prefeitos do interior catarinense e colocou o PL em uma situação delicada, com Valdemar preferindo facilitar a vida do governador e fazer uma composição enquanto o clã Bolsonaro insiste em uma chapa pura.
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o impasse também ocorre em torno da candidatura ao Senado. Uma ala do partido, apoiada por Michele Bolsonaro e pelo próprio Valdemar, defende o nome de Rosana Valle, presidente do PL Mulher no estado. Já Eduardo Bolsonaro gravou um vídeo de 40 minutos justificando sua preferência pelo deputado estadual Gil Diniz, criando mais um ponto de tensão interna.
As divergências se estendem a outros estados importantes como Minas Gerais e Rio de Janeiro. No caso fluminense, há indefinição sobre quem será o candidato da direita ao governo estadual após a saída do governador Cláudio Castro para disputar o Senado.
O analista político Pedro Venceslau destaca que o PL vive hoje uma situação de dependência do capital político da família Bolsonaro, o que limita o pragmatismo tradicional de Valdemar Costa Neto nas articulações políticas.
A expectativa dentro do partido era de um encontro entre Valdemar e Jair Bolsonaro para alinhar estratégias, mas a reunião foi adiada, deixando várias articulações políticas paralisadas. Enquanto o presidente do PL busca acordos mais pragmáticos e viáveis eleitoralmente, a família Bolsonaro mantém posições mais ideológicas, gerando um descompasso que pode afetar o desempenho da legenda nas próximas eleições.

