A ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT) chamou os comentários da Embaixada dos Estados Unidos sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “vergonha”. Hoffmann falou sobre o tema nesta sexta-feira (8/8), durante sua participação no Fórum JOTA, evento patrocinado pela Amazon e pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), e que contou com o apoio do Jusbrasil. Nesta mesma manhã, o Itamaraty convocou o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, para mostrar seu descontentamento com as posições da embaixada.
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Na última quinta-feira (7/8), via redes sociais, a embaixada dos EUA no Brasil afirmou que “o ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky, determinadas pelo presidente Trump. Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto”.
Para Gleisi Hoffmann, a postura dos EUA na ordem executiva que implementou o tarifaço contra o Brasil, em que também cita as eleições de 2026, mostra o país norte-americano “claramente querendo intervir na política brasileira”. “Isso nós não podemos permitir. Chega, já aconteceu isso uma vez no golpe de 64, não pode acontecer de novo. E ainda mais numa situação dessas em que fazem um questionamento sobre a nossa democracia, nossas instituições”, disse.
No entanto, ao ser perguntada sobre a possibilidade de Donald Trump desestabilizar o processo eleitoral no ano que vem, ela afirmou que “quem pode fazer isso aqui é a família Bolsonaro, se tiver muito apoio de setores internos, inclusive”. Ela defendeu também a cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados. “É uma vergonha o que esse menino está fazendo”.
Desembarque
Durante o evento, a ministra ainda disse que o governo não tem conhecimento de acordos no Congresso para aprovar mudanças no foro privilegiado que retirem do Supremo Tribunal Federal (STF) a competência para julgar parlamentares. Segundo o blog da jornalista Andréia Sadi, do g1, o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) deve abraçar um acordo sendo costurado por Arthur Lira (PP-AL) sobre o tema. “As coisas não podem ser de ocasião. Quando interessa ter foro privilegiado, mantém-se. Quando não interessa, retira-se. Isso traz instabilidade jurídica e institucional”, disse a ministra.
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Gleisi Hoffmann também admitiu que legendas como União Brasil e PP estejam “desembarcando” da base de Lula. “Mas eu não acredito que seja um desembarque total, eu acho que uma parte fica, pelo que eu tenho sentido dos ministros, de alguns atores importantes desses partidos”, afirmou. Além disso, acredita que, para quem ficar, o apoio deve permanecer até 2026.
“E também não há necessidade de essas legendas estarem integralmente conosco. É óbvio que seria melhor não estarem em outro campo, mas nós temos governabilidade”, disse. “Nós vamos construir essa aliança[para 2026] em cima daqueles que entendem que o governo dos meses anteriores está correto, está fazendo as coisas certas”.
Gleisi Hoffmann afirma que a eleição presidencial de 2026 será “muito polarizada” e disse que o governo investirá em pautas como segurança pública e distribuição de renda até lá. Questionada sobre a possibilidade de o PT concorrer com Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela presidência em 2026, ela disse que “a gente não escolhe o concorrente” e com “quem vier vamos disputar a eleição, o Lula é o melhor candidato”.
Questionada sobre a possibilidade de o vice-presidente Geraldo Alckmin disputar o governo de São Paulo, respondeu que “nada está descartado”, mas que não há discussão interna sobre o tema. “Na minha opinião, Haddad deveria disputar em São Paulo”, afirmou, acrescentando que eventuais alianças regionais serão negociadas com os partidos que compõem a base do governo.

