Indiciado por feminicídio e fraude processual, o suspeito foi preso durante o velório da vítima após a polícia identificar contradições em acidente forjado na MG-050 Minas Gerais, Belo Horizonte, Feminicídio, Violência doméstica CNN Brasil
A PCMG (Polícia Civil de Minas Gerais) concluiu o inquérito sobre a morte de Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, ocorrida em 14 de dezembro do ano passado. As investigações apontam que o companheiro da vítima, Alisson de Araújo, de 43 anos, assassinou a mulher em seu apartamento em Belo Horizonte e, posteriormente, simulou um acidente de trânsito na rodovia MG-050, em Itaúna, para ocultar o crime.
A CNN Brasil teve acesso à linha do tempo que mostram o histórico de agressões que a vítima sofreu antes e durante o caso de feminicídio.
Veja vídeo
Em agosto de 2025, uma câmera no apartamento registrou uma série de agressões na sala da casa. Instantes depois, a própria vítima flagrou o autor retirando o cartão de memórias, com objetivo de manipular as provas.
No dia do homicídio, imagens de câmeras de segurança do condomínio onde o casal residia registraram o último momento em que Henay Rosa foi vista com vida.
Na sequência, por volta das 4h50 da manhã, Alisson retirou o corpo de Henay do apartamento.
Segundo o delegado João Marcos do Amaral Ferreira, os vídeos mostram o suspeito puxando o corpo da vítima, que já aparecia totalmente inerte, até a garagem do prédio, onde foi colocada no banco do motorista.
Por volta de 5h, imagens mostram eles deixando o prédio. Durante o trajeto até o local do acidente, o veículo passou por uma praça de pedágio em Itaúna.
Veja vídeo que levou polícia a investigar acidente como feminicídio em MG
Registros do local mostram Alisson sentado no banco do passageiro realizando o pagamento, enquanto a vítima estava desacordada ao volante.
A perícia identificou que o homem conduzia o veículo a partir do banco do passageiro, utilizando as mãos no volante e um dos pés para acionar os pedais.
A funcionária do pedágio, ao questionar o estado da mulher, ouviu do suspeito que ela estaria apenas “passando mal”.
Simulação de acidente e provas de asfixia
Após cruzar o pedágio, Alisson jogou o veículo propositalmente contra um micro-ônibus. Testemunhas no coletivo relataram que o automóvel vinha em zigue-zague antes de invadir a contramão.
A perícia técnica constatou a ausência de marcas de frenagem, reforçando que o impacto foi intencional para forjar uma morte acidental.

Contudo, uma segunda necropsia revelou que a causa da morte de Henay apresentava indícios de asfixia por constrição cervical, incompatíveis com a dinâmica de uma colisão frontal.
Além disso, testemunhas que tentaram socorrer a vítima logo após a batida afirmaram que o corpo já estava frio e apresentava rigidez, sugerindo que o óbito ocorrera horas antes do acidente.
Confissão parcial e antecedentes
Em depoimento, Alisson confessou ter agredido a companheira diversas vezes, relatando que bateu a cabeça dela contra o veículo e pressionou seu pescoço.
No entanto, negou o assassinato, alegando que a mulher teria retomado a consciência e provocado o acidente. A versão foi refutada pela polícia com base em laudos periciais e nas imagens que mostram a vítima inconsciente quilômetros antes da colisão.
O suspeito, que já possuía histórico de violência doméstica registrado em 2023, foi preso preventivamente no dia 15 de dezembro, enquanto participava do velório de Henay.
Ele responderá pelos crimes de feminicídio e fraude processual.

