A relativa mansidão de Bolsonaro hoje contrasta com a imagem do político que já se propôs a incendiar o país — e que está empenhado agora apenas em escapar da cadeia Política, Alexandre de Moraes, Golpe de Estado, Jair Bolsonaro, Polícia Federal, STF, Waack, William Waack CNN Brasil
Desavisados poderiam achar que se tratava de uma conversa entre ex-amigos consertando mal-entendidos. Mas era um momento extremamente grave na história nacional, no qual um ex-presidente da República era interrogado como réu por um tribunal que o julga pela acusação de tentativa de golpe de Estado.
Réu e o principal juiz, Alexandre de Moraes, escolheram um tom ameno que em nada alterou o fundamental da coisa toda. A acusação contra Jair Bolsonaro está escorada em depoimentos de um delator e alguns documentos encontrados pela Polícia Federal. Cabe agora a quem denuncia provar uma ligação entre tudo isso — que culmina nos atos antidemocráticos do 8 de janeiro — e Jair Bolsonaro.
No seu exercício hoje de autodefesa, Bolsonaro transformou o interrogatório em um problema de retórica abusiva por parte dele mesmo. Foram desabafos de quem se sentiu amarrado durante o mandato e, mais ainda, na eleição de 2022. Disse que nunca na vida pensou em golpe ou qualquer coisa semelhante. Pediu até desculpas a Moraes por ter dito que os juízes “levavam grana”.
Bolsonaro eximiu-se de deslegitimar o tribunal que o julga e não repetiu qualquer das críticas que fez ao Supremo durante anos.
O STF está com muita pressa em terminar o julgamento, que uma grande maioria dos operadores no campo do Direito acredita que terminará com a condenação de Bolsonaro. Não pela força deste ou daquele indício, mas pelo “conjunto da obra”, como dizem os acusadores.
A relativa mansidão de Bolsonaro hoje contrasta com a imagem do político que já se propôs a incendiar o país — e que está empenhado agora apenas em escapar da cadeia.
Mas, se era plano de golpe ou só retórica, é para a cadeia que ele está indo.

