A principal lição do Chile para nós é a forma como está sendo conduzida a transição de governo Internacional, Chile, diplomacia, Eleições, José Antonio Kast, Waack, William Waack, ww CNN Brasil
As eleições presidenciais no Chile deram uma grande lição, sobretudo para nós aqui no Brasil. Elas terminaram com a vitória fácil de um candidato de ultradireita contra a candidata vinculada a um governo de esquerda. O resultado em si já traz importantes lições políticas sobre a ascensão de movimentos de direita na região, ajudados, inspirados ou não por Donald Trump, bem como sobre as dificuldades enfrentadas pela esquerda na América do Sul.
No entanto, a principal lição do Chile para nós é outra: a forma como está sendo conduzida a transição de governo. Tanto a candidata comunista quanto o presidente de esquerda reconheceram imediatamente a derrota, telefonaram e felicitaram o vencedor. O presidente que está deixando o cargo chegou a tirar fotos cumprimentando o direitista que ocupará seu lugar.
Mais do que isso, embora tenham trocado ofensas ao longo da campanha, ambos passaram a falar em união nacional, apesar de liderarem projetos políticos diametralmente opostos. “Foi um encontro positivo e republicano”, afirmou o presidente eleito, representante da direita. “O que precisamos são políticas de Estado para temas prioritários.”
O Chile é um país muito menor que o Brasil, com uma população equivalente, aproximadamente, a do Rio de Janeiro. Foi uma democracia consolidada até ser destruída por uma das ditaduras militares mais sanguinárias da região, há cerca de 50 anos. Desde então, alternou governos de esquerda e de direita, que se tornaram cada vez mais polarizados e distantes entre si no campo das ideias e das propostas.
Mesmo assim, os chilenos parecem capazes de preservar a importância do gesto político. Civilidade na política nunca é algo ruim.

