Portugal adotou novo sistema de controle de fronteiras no início de outubro; ministra da Administração Interna diz que “sistema pifou por momentos” Internacional, Aeroportos, Europa, Imigração, Portugal, União Europeia CNN Brasil
O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, tem registrado nas últimas semanas cenas de caos e longas filas na imigração. Na terça-feira (17), passageiros chegaram a relatar até seis horas de espera.
“A fila às vezes andava rápido, às vezes parava. Ficava muito tempo travada. Eu fiquei quase seis horas na fila”, disse um passageiro à CNN Portugal.
“Praticamente cinco horas esperando em pé, sem água, sem comida, sem poder sentar e sem receber nenhuma informação”, acrescentou outra.
No centro das cenas caóticas está a adoção de um novo sistema de controle de fronteiras que vem sendo utilizado em Portugal desde o início de outubro – o EES (Entry/Exit System).
Entre as mudanças adotadas estão “as entradas e saídas de viajantes de países terceiros que passam a ser registradas eletronicamente, com indicação da data, hora e posto de fronteira”, substituindo os tradicionais carimbos nos passaportes.
A medida vale para cidadãos não pertencentes à União Europeia que cheguem a Portugal para estadias de até 90 dias.
Problemas técnicos têm provocado dificuldades, sobretudo aos passageiros fora do Espaço Schengen, relatou a CNN Portugal.
Sistema “pifou por um momento”, diz governo
“Terças-feiras são dias particularmente críticos. Pois hoje, justamente na madrugada, um dos servidores que está alojado no MAI (Ministério da Administração Interna) teve… não pifou, mas por momentos pifou”, explicou a ministra da Administração Interna Portuguesa, Maria Lúcia Amaral, em audiência na Assembleia da República.
Uma passageira denunciou à CNN Portugal que o aeroporto, apesar de ter cerca de 15 guichês para o atendimento de imigrantes, funcionava com somente cinco ou seis atendentes.
“Eu não nego a responsabilidade da PSP (Polícia de Segurança Pública), mas recuso a aceitar que seja responsabilidade exclusiva”, também disse a ministra Amaral.
Consultada pela CNN Portugal, a PSP disse que trabalha na capacidade máxima e a falha no sistema de imigração no aeroporto de Lisboa não é responsabilidade da PSP. A polícia também cita a falta de agentes como um problema.
A ministra Maria Lúcia Amaral explicou no Parlamento português que a formação para agentes da imigração demanda 10 cursos de sete semanas cada um. “É um processo que não pode ser resolvido amanhã”, disse.
No início do mês, segundo relatou a imprensa portuguesa, José Luís Arnaut, presidente da ANA Aeroportos de Portugal, que administra vários aeroportos no país, afirmou que “há um problema de recursos humanos objetivos e um problema de gestão dos recursos humanos existentes”.
Em um congresso em Macau, Arnaut afirmou que a falta de agentes no controle de fronteiras em Lisboa se destaca nos primeiros voos da manhã. Segundo o presidente da ANA, no turno em que se aumenta o efetivo, ainda há uma longa fila acumulada dos voos da madrugada.
“No momento em que reforçam, já chegaram os aviões das 7 e das 8 da manhã, que são mais 1.000 a 1.200 passageiros. Ainda não estão digeridos os passageiros das 5 e das 6 da manhã e carregamos nos outros”, declarou.
Os passageiros portugueses temem que a situação caótica no aeroporto fique ainda pior com a movimentação do Natal e Ano Novo.
No entanto, o governo português já admite a possibilidade de trabalhar com um plano de contingência – e suspender temporariamente o novo sistema adotado – para evitar longas filas.
A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia de Segurança Pública e com a ANA Aeroportos de Portugal, e aguarda retorno.
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